Programa Uma Terra e Duas Águas promove capacitações de GAPA e SISMA em Belo Jardim/PE
Para que essas famílias possam administrar a água de maneira correta é necessário – antes da construção das tecnologias – capacitar os agricultores e agricultoras com formações específicas na utilização da água. Essas são as funções dos cursos em Gerenciamento de Águas para a Produção de Alimentos (GAPA) e de Sistema Simplificado de Manejo de Água para a Produção de Alimentos (SISMA).
O Programa Uma Terra e Duas Águas (P1+2), executado pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, promoveu as capacitações de GAPA e SISMA para famílias agricultoras do município de Belo Jardim, em Pernambuco. As comunidades de Serra Verde, Sitio do Meio e Sítio Gravatá receberam os cursos nos meses de abril e maio, ministrados por instrutores capacitados sobre Gestão de Recursos Hídricos (GRH) e agricultura familiar; e pela assessoria técnica e coordenador de Projetos da Cáritas Diocesana de Pesqueira.
De 25 a 27 de abril, os agricultores (as) que irão receber as cisternas em suas propriedades participaram da capacitação em GAPA no Sítio Serra Verde. Durante os três dias do curso, os (as) 28 participantes aprofundaram seus conhecimentos sobre Agroecologia; formas de tratamentos e consumo de água; importância dos defensivos naturais; segurança alimentar e nutricional; impacto das plantas medicinas no bem-estar; bem como, os cuidados na conservação das cisternas.
“É preciso entender que não existe combate à seca, e sim convivência com a seca. Nas capacitações, nós trabalhamos para mudar o entendimento desses agricultores (as) em relação a isso, pois quando o entendimento muda as realidades também mudam”, reforçou o instrutor do Curso de GAPA, Gildo José.
De 10 a 12 de maio, as famílias agricultoras das comunidades beneficiadas pelo programa em Belo Jardim se reuniram para participar do curso em SISMA. No primeiro dia de capacitação, os agricultores (as) debateram o papel da agricultura familiar, a importância da segurança alimentar e hídrica, bem como, o acesso aos mercados locais. Os participantes também fizeram explanações sobre os impactos do P1+2 nos municípios e comunidades.

Dando sequência a programação, os (as) participantes tiveram a oportunidade de vivenciar práticas de campo, com a implantação de um canteiro econômico e de uma composteira. As famílias participaram de um debate e fizeram uma reflexão sobre como a experiência desenvolvida em campo pode ajudar no avanço da estruturação de suas unidades produtivas. Também foram explicados durante o curso como funciona o processo de implementação das tecnologias sociais nas propriedades, o que são as Comissões Municipais, seus papéis e atribuições.

“A capacitação sobre Sistema Simplificados de Manejo de Água para a Produção de Alimentos (SISMA) proporcionou um importante processo de troca de experiências sobre práticas de base agroecológicas capazes de contribuir para a melhoria da produção nas unidades familiares, além de realizar em campo um conjunto de técnicas – canteiro econômico, farmácia viva e composteira – consideradas simples e que propiciam a economia de água, a produção de alimentos, a produção de fertilizantes e de remédios”, salientou Joseilton Evangelista, coordenador de Projetos da Cáritas Diocesana de Pesqueira.
No final da capacitação, os agricultores (as) realizaram uma feira para troca de sementes crioulas e mudas. “A feira foi um momento em que percebemos a diversidade dos recursos genéticos existentes nas comunidades e suas potencialidades para a produção de alimentos”, justificou Joseilton.

A agricultora Maria das Dores, da comunidade Sítio do Meio, disse que com a chegada da cisterna, a vida dela e de outras famílias vai ter uma mudança significativa. “Essa cisterna vem num momento que a gente precisava muito, pois já sofri muito em ter que carregar água de longe, não só pra mim, mas para outras pessoas que também precisam”, reforçou. Ela também explicou a importância da capacitação para sua vida. “Eu aprendi muita coisa que não sabia, mas também a gente ensina muito uns aos outros com esses cursos, pois eu considero isso uma troca de conhecimento”, finalizou.

Durante os cursos de GAPA e SISMA as famílias se apropriam de conhecimentos sobre o manejo da água no arredor de casa, os cuidados com a horta, as plantas medicinais, o uso dos defensivos naturais, a fertilização do solo, economia de água, produção agroecológica de alimentos, além de aprofundarem seus saberes sobre politicas públicas de acesso à água e sobre o lugar onde vivem.


Por Núcleo de Comunicação da Cáritas Diocesana de Pesqueira.