Grupo Mulheres de Renda produz peças em parceira com a artista plástica e designer Eli Tosta Menasce
O ditado popular “a união faz a força” nunca foi tão evidente na cidade de Poção. As rendeiras que fazem parte do grupo Mulheres de Renda, assessorado pela Cáritas Diocesana de Pesqueira, estão colocando a mão na massa com disposição e entusiasmo por uma nova empreitada: a confecção de peças para o projeto Biomas e Renda.
O projeto é comandado pela artista plástica e designer Eli Tosta Menasce, que desenvolve através do Ateliê Brasil um trabalho a nível nacional sobre inclusão de comunidades no mercado de trabalho por meio da arte, como forma de agregar valor aos produtos de cada região e assim contribuir para o resgate da cultura local.

No aconchegante ateliê recém reformado, delicadamente nomeado de Rendando Agreste, as mulheres unem forças e trabalham em horário comercial para dar conta das demandas do projeto. As peças misturam as mais diversas matérias-primas, formando obras delicadas e com personalidade, sem deixar de lado o ponto forte das Mulheres de Renda, a renascença. As luminárias que iluminam o local já deixam claro que ali é um espaço voltado para a arte e para a dedicação feminina.
A produção das peças e o trabalho no ateliê não são vistos como obrigação, mas como uma forma de união do grupo. “Eu já fiz de tudo um pouco aqui, lixei madeira, pintei, envernizei. De tudo estamos aprendendo. Pude notar que estamos muito mais unidas, fazemos nosso trabalho com felicidade, sempre de bom humor. Ainda vamos aprender a fazer almofadas e bolsas. O que aprendemos aqui vamos levar como ensinamento para o resto de nossas vidas”, disse Rosenilda Bezerra, integrante do grupo Mulheres de Renda.

Com uma produção voltada para diversos destinos, o objetivo é que as obras sejam comercializadas em lojas de arquitetura em Recife e São Paulo. Além da exposição na mostra coletiva realizada no Carrousel du Louvre, na França, onde a artista plástica e designer foi convidada a apresentar os trabalhos; bem como, em uma exposição individual no museu de Arte Contemporânea em Marrakesh, no Marrocos.
“Foram dias intensos. O que foi mais me emociona no convívio com elas é a dedicação ao que estão fazendo. Elas acham maravilhoso ter um espaço para trabalhar e falam categoricamente que nada vai impedi-las de fazer o que estão fazendo. Elas se empoderaram do espaço e foi uma surpresa para mim principalmente pela superação”, salientou Eli Tosta.

“Está sendo uma experiência surpreendente. Nós já tínhamos a ideia da dimensão do projeto, mas quando colocamos a mão na massa foi outra sensação. Agregar a renda renascença a madeira e a outros produtos dão um resultado fantástico. O reaproveitamento é total, o que achamos que seria lixo, vira arte aqui. É um trabalho que superou nossas expectativas”, pontuou Teresinha Duarte, presidente da Cáritas Paroquial Cruzeiro de Poção e integrante do grupo Mulheres de Renda.

Ao som de Ciranda da Rosa Vermelha, elas trabalham cantando e encantando. Seja lixando a madeira, fazendo a renda renascença ou compartilhando os novos aprendizados, o comprometimento e a dedicação das Mulheres de Renda é contagiante. “Nosso maior objetivo com isso é geração de renda através da arte. Queremos mostrar ao mundo o trabalho belíssimo que essas mulheres fazem aqui, e assim promover uma transformação de vida para elas também”, finalizou Eli Tosta.
Grupo Mulheres de Renda
O Grupo nasce da Cáritas Paroquial Cruzeiro de Poção é formado por rendeiras que preservam e perpetuam o ofício e arte da renascença no Agreste pernambucano. O coletivo expõe todos os anos na Feira Nacional de Negócios do Artesanato (Fenearte), em Olinda; comercializa também no Centro de Artesanato de Pernambuco, em Recife; e participa ainda de diversas Feiras e eventos na capital pernambucana.
Por Núcleo de Comunicação da Cáritas Diocesana de Pesqueira