Grupo Mulheres Angelicais, do município de Buíque, conquista acesso à terra após seis anos de luta
O grupo Mulheres Angelicais Construindo Cidadania, da comunidade de Sítio Angélica, zona rural de Buíque, começou o ano de 2019 com uma conquista significativa. Através do programa Crédito Fundiário, do Governo Federal, elas garantiram o acesso à terra para a criação e produção da caprinocultura na comunidade.
A Cáritas Diocesana de Pesqueira acompanha o grupo desde 2003 e luta ao lado das mulheres, desde 2012, pelo processo de organização e compra da terra, junto ao Instituto de Terras e Reforma Agraria do Estado de Pernambuco (ITERPE).
A história do grupo começa quando algumas mulheres da comunidade se organizaram a partir da chegada de um projeto de caprinocultura do Fundo Rotativo Solidário, por meio da Pastoral da Criança, devido ao alto índice de desnutrição existente na comunidade. A aquisição das cabras para a produção de leite contribuiu para garantir a segurança alimentar e nutricional das crianças da localidade.

A partir disto, as mulheres foram se identificando com esse tipo de criação, e investiram tanto na produção de leite quanto de carne. Com o passar do tempo, começaram a surgir as dificuldades devido à falta de terra e de espaço para a criação do rebanho. Um morador da comunidade, vendo a importância do trabalho delas para todos, cedia um lote de terra para a criação das cabras e de outras produções.
E então foi iniciada uma parceria entre a Cáritas e as mulheres para aquisição desse terreno, junto com a ITERPE, através do Crédito Fundiário, para que elas expandissem seu trabalho e aumentasse assim, a qualidade de vida. Mas antes disto, as mulheres precisaram se organizar e participaram de momentos de formação e troca de experiências, onde elas entenderam o seu papel enquanto agentes transformadoras, e fundaram o Grupo de Mulheres Angelicais Construindo Cidadania.
“Quando fizemos a proposta para o Crédito Fundiário, entramos num processo de organização da associação local, da constituição do grupo Mulheres Angelicais, com formações políticas para elas, através da Secretaria da Mulher do Estado, e intercâmbios sobre caprinocultura organizados pela Cáritas Diocesana de Pesqueira. Tudo isso foi um processo longo e demorado, mas que seis anos depois nos deu esse belíssimo resultado”, reforçou a secretária da Mulher de Buíque e agente Cáritas, Santina Tereza.
“Uma das coisas que mais dificulta o acesso à terra é a burocracia. Existe muita terra improdutiva que poderia estar na mão das mulheres, mas infelizmente emperra no acesso ou na regularização dessas terras no estado. Em várias idas e vindas, conquistamos 96,6 hectares de terra, que serão distribuídos entre nove mulheres”, finaliza Santina.
Cada mulher do grupo terá direito a 10,7 hectares de terra, além de acesso a dois programas para estruturação de seus terrenos, que irão fornecer animais, apriscos, arames, suporte forrageiro e todo o processo de organização desse quintal produtivo. Diferentemente dos assentamentos, as mulheres não vão morar na terra, apenas farão o criatório coletivo das cabras.
Durante todo o processo de compra da terra, as mulheres contaram com a parceria, além da Cáritas Diocesana de Pesqueira; da Comissão Permanente de Mulheres Rurais de Pernambuco; ITERPE; Conselho Municipal de Desenvolvimento Rural e Sustentável de Buique; Conselho Estadual de Desenvolvimento Rural e Sustentável de Pernambuco; da Federação dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras de Pernambuco (FETAPE), Sindicato Rural de Buíque e da Secretaria da Mulher do Estado.
Por Núcleo de Comunicação da Cáritas Diocesana de Pesqueira
