Técnicas de Agroflorestação ajudam no plantio e manejo de plantas nativas no município de Pesqueira
Ao som de “Xote Ecológico”, canção de Luiz Gonzaga que fala sobre a destruição dos nossos recursos naturais, agricultores e agricultoras se reuniram no Sítio Batinga, no município de Pesqueira, para celebrar a resiliência da natureza. O encontro aconteceu na manhã desta quarta-feira (16), a sombra de um pé de Chorão.
Foi durante a Campanha da Fraternidade do ano passado, que trouxe o tema “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, que a professora aposentada Maria da Paz, presidente da Cáritas Paroquial Pe. Pereira CSsR do município de Alagoinha, teve a ideia de implementar técnicas de agroflorestação para recuperar uma área até então inutilizada em sua propriedade. “Eu senti a necessidade de tomar uma atitude para que pudesse provar que é possível conviver com a natureza sem agredi-la. Depois que vi o tema da Campanha da Fraternidade de 2017, decidi que tinha que fazer algo na prática”, expressou com satisfação.

A agroflorestação consiste em uma técnica de plantio que visa recuperar áreas degradadas por vários fatores, como queimadas, desmatamento, ou mau uso do solo. “Nossa prática de agricultura geralmente não é de recuperar, e sim de sempre extrair da terra, geralmente sem nunca devolver aquilo que ela precisa. O que nós vamos fazer aqui é um experimento, onde ao mesmo tempo a gente recupera o ambiente, protege essa área e planta lavouras que possam ser colhidas”, explicou Joseilton Evangelista, coordenador de Projetos da Cáritas Diocesana de Pesqueira, que ministrou para os 17 agricultores e agricultoras a primeira aula sobre técnicas de implantação de um sistema agroflorestal.

As 300 mudas que estão sendo plantadas na localidade vieram de uma doação do viveiro de mudas da Companhia Pernambucana de Saneamento (Compesa) do município de Poção, e da propriedade de dona Maria da Paz. “A ideia é misturar vários tipos de plantas, para além de preservar o solo, também manter as espécies nativas da nossa região, como a Mutamba, Pau-Ferro e Jurema-Assú”, reforçou Maria da Paz.

Além das mudas nativas, outras espécies também estão sendo plantadas na área, como Frutas-Pinha, Cajueiros, Mognos, Angicos-Manjola, Chichás, Ipês, Jatobás, Pitombeiras, Jequitibás, Craibeiras, Moringas, Caraíbas, Trapiás, Arureiras e Jacarandás.
Para a agricultora Maria Lúcia Galindo, do Sítio Cangas, no município de Alagoinha, é importante participar de momentos como esse, pois além de aprender mais sobre o cuidado com a natureza, as pessoas entendem que é necessário preservar os biomas nativos. “Na seca que teve morreu muito Angico e Jurema, e as pessoas diziam que não iam perder tempo plantando porque não iria chover. Eu fiz uma reserva de Angico no meu sítio e quero levar essa técnica que estou aprendendo aqui para o lugar onde eu moro também. Esse projeto é importante porque incentiva outras pessoas se dedicarem mais a natureza”, explicou.

O processo de agroflorestação tem se tornado comum nos últimos anos por ser uma técnica baseada na produção de um sistema similar a de uma floresta, onde as plantas ajudam na formação de um ecossistema biodiverso, ideal para recuperação e cultivo de qualquer tipo de solo. Isso auxilia no aumento da produtividade da terra ao redor das árvores, utilizando vários tipos de plantas para criação de um ecossistema completo.

“Esperamos enquanto Cáritas Diocesana de Pesqueira dar total apoio para ver essa experiência crescer, se estabelecer e evoluir. É possível colocar lavoura e floresta no mesmo espaço, mas é necessário ter o manejo da terra e utilizar as técnicas corretas para o sistema dar certo. Estamos aqui para ajudar no que for preciso”, finalizou Joseilton.
Por Núcleo de Comunicação da Cáritas Diocesana de Pesqueira